ColunistasCOLUNISTAS

Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Os rumos do lulopetismo

11/2/2024 - Várzea Paulista - SP

Durante seu primeiro mês de presidente, Lula mostrou uma postura e intenções semelhantes à de seus dois primeiros governos. Algumas ele consegue repetir, outras nem tanto. Pois, se ele ainda é o mesmo, o cenário possui diferenças com o Brasil dos anos 2000. O principal fator diz respeito à organização e situação econômica. Lula conseguiu ascender à presidência após longas derrotas eleitorais, subindo durante um período forte e favorável economicamente.   Governando durante o boom das commodities, que valorizou e fortaleceu muito a economia brasileira, teve uma ótima base para suas políticas sociais.

Ali fortaleceu o Bolsa Família, junto com programas como Fome Zero e outros. Além de aumentar o investimento e a força do estado, permitindo um país mais robusto institucionalmente, com uma malha mais forte. Em uma palavra, teve-se uma postura governamental voltada para questões sociais. Usando, entre outros fatores, um aumento da capacidade de consumo da população para fortalecer o quadro. Estando em um período de boom de commodities, isso se fortalecia.

 Porém, o país não conseguiu força suficiente para conseguir atingir um patamar de força e organização institucional capazes de garantir continuidade e fortalecimento neste processo. Que fortaleceria o país com novas garantias, direito e mecanismos de estado para combater os problemas da sociedade. Poderia assim, com essa robustez, ter maneiras e formas significativas de combater problemas sociais, especialmente pobreza. Já havia uma linha política assim, iniciada por Lula com seus programas e ações políticas. Porém o Brasil, assim como praticamente todo o resto da América Latina, vive de períodos de fortalecimento econômico alternados com empobrecimento. Nunca consegue superar tal mecanismo. Normalmente, se tem curtos períodos fortes seguidos por longo enfraquecimento.

Assim, quando o boom das commodities passou, se instaurou uma crise econômica ainda não resolvida.  Com um estado enfraquecido, uma série de problemas sociais surgiu ou foram reforçados. Questões que terminaram levando à menor poder de compra e uma série de questões levantadas, levando ao bolsonarismo, o sintoma mais claro do adoecimento e do agravamento de problemas e questões sociais. E que enfraqueceu ainda mais o país. Assim nos encontramos num estado ainda economicamente enfraquecido e com menos estruturas, muitas delas desmontadas por Michel Temer, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, especialmente o último.

Baseado em uma onda moral conservadora e nesta crise, o bolsonarismo ascendeu. Começou a arrefecer durante a pandemia. Com a má gestão do então presidente Bolsonaro, sua moral passou a cair cada vez mais. Até chegar à vitória de Lula, em 2022. Agora, neste cenário, novas questões surgem para Lula. A primeira, já muito visível neste primeiro mês de governo é sobre a violência por parte da oposição, manifesta na invasão a Brasília em 08/01. Em seus dois mandatos anteriores, nada disso acontecera, indicando que vivíamos um jogo político diferente. Embora já esteja mais arrefecida esta questão, por uma série de medidas políticas e ampla reprovação popular do ato, fica um sinal.

 Para, além disto, há outra questão. O governo sinaliza tomar novamente um rumo de defender políticas sociais, fazer investimentos a partir do estado para concretizar tais ideias. Novamente, mostrando intenções de assim seguir, conseguirá meandros e manobras do estado para tomar políticas neste sentido. Mas também se encontra mais amarrado e limitado para estas ações. Pois além de ter mais amarrações com setores financeiros, também não possui uma base favorável. O que o pode tornar um governo mais preso, com menos força para seus programas. O que já pode ser observado com o anúncio da ministra do planejamento, Simone Tebet, anunciando cortes no Bolsa Família. Ainda que o governo não tenha perdido a disposição para questões sociais, tem bem menos força para fazer. Também não conseguiu mexer no reajuste do Imposto de Renda, tornando um ponto negativo para suas questões.

 A partir de tudo isto, o lulopetismo tenta retomar suas antigas políticas e formas, tendo alcances mesmo similares. Porém o cenário diferente pode terminar limitando muito de seus programas, levando a questões de desapontamento com a conduta governamental. O que ainda pode ser feito é uma administração atenta e voltada para caminhos efetivos de políticas públicas e ações governamentais. Lula não é o melhor em termos deste tipo de ação. No entanto, é o único do Brasil que realmente concretiza estas ações. Outros políticos ou são abertamente hostis a políticas sociais ou não tem força para realizá-las. O terceiro mandato de Lula, o retorno do lulopetismo, caminha então para uma série de articulações que resultarão em medidas populares. Não resolverão o problema, no máximo amenizando algumas questões.Alguma força política capaz de encarar problemas sociais terá de surgir, indo além do lulopetismo.

 
Compartilhe no Whatsapp