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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Oito de janeiro

7/1/2024 - Várzea Paulista - SP

   Prestes há completar um ano a infame invasão a Brasília, especialmente ao senado e a câmara dos deputados, torna-se interessante e importante relembrar o evento, seus desdobramentos, significado político, o ato em si e o que se passou antes dele, sob o qual tal evento foi o cume. O oito de janeiro foi o ponto central, o momento no qual se viu o resultado final de todo um discurso, cisão e tensão que tinha sido construída em anos anteriores. A qual arrefeceu de lá para cá, embora não tenha morrido. Carregou consigo um pano de fundo fortemente alimentado, de pano anti institucional e antidemocrático, que permeou e trouxe alguns adeptos durante o governo Bolsonaro.  

     Pois uma das bases retóricas do bolsonarismo, muito pega de outros movimentos de extrema direita pelo mundo, era a de ser contra instituições, contra esquerda, contra o PT em particular, e, num sentido mais amplo, contra tudo que está, ou estava aí. Como fenômeno político, pelo tamanho e capilaridade que conseguiu, certamente também trouxe diversos outros fatores e ideias menores, embora os maiores tenham cito citados acima. Nesta base retórica, que começou com uma base antipetista e anticomunista, sem ter um significado claro ao último, foi crescendo bastante e se alastrando contra outras instituições também, especialmente o STF. Um pouco disto por este último, ao longo do governo Bolsonaro, ter coibido algumas das ações deste, além de ter tomado algumas rédeas durante a pandemia de Covid-19, destacando a liberdade dada a prefeitos e governadores para fazerem política durante a pandemia, tendo mais liberdade para decisões relacionadas.

      Com este sentimento criado e alimentado durante este tempo, se criou um caldo político que não reconhecia e tinha relações conflituosas com os poderes, especialmente o judiciário. Com a perda de Bolsonaro na eleição de 2022, e a vitória de Lula, tal sentimento foi elevado a ainda maior potência, tendo sido vistas as urnas como fraudulentas, um discurso já antigo fortalecido desde a derrota de Aécio Neves, e também um momento de muitos pedidos de intervenção militar, alimentando bastante o sentimento.

     O qual teve como auge o oito de janeiro, numa tentativa prática e fracassada de golpe de estado, não ocorrida por um misto de ação judiciária e a incompetência dos que tentaram aplicar tal golpe. A polícia do DF pouco fez, dando bastante vazão para a ocorrência do ato. Embora, de lá para cá, se tenha reduzido bastante o sentimento, e o ato seja condenado pela maioria da população, a marca segue como um atentado a democracia brasileira, um momento em que se viu a força de sentimentos políticos ruins e onde estes podem chegar.    

 
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