ColunistasCOLUNISTAS

Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Nativismo gaúcho

19/2/2023 - Várzea Paulista - SP

          A cultura gauchesca foi algo muito presente na história do Rio Grande do Sul, também no Uruguai e Argentina. Com menos força, Paraguai e Bolívia. Trata-se dos costumes e hábitos dos campeiros gaúchos, em suas características autóctones e ontológicas. Como há vários outros tipos de figuras campeiras, em diversos lugares. Mas cada um possui jeitos e culturas próprias. Gaúchos possuem suas próprias, como churrasco, chimarrão, bombachas, música gauchesca, filosofias, além de outros pontos.

         Baseado nessa cultura e forma de viver, uma série de movimentos e de ideias culturais foram levantadas. Falando e, normalmente, exaltando esta figura. Uma das primeiras associações a trazer o gaúcho foi o Partenon Literário de Porto Alegre, sociedade literária que defendia pautas importantes do Brasil do século XIX. Como a abolição da escravidão, a proclamação da república e a emancipação feminina. E tinha o gaúcho como o representante da cultura sul rio-grandense, com sua bombacha, chimarrão e seu jeito um tanto nômade. Bastante enquadrado ainda nos moldes do romantismo, vendo tipos sociais do Brasil como representantes culturais da terra nacional, trazendo nossas características mais reais e profundas. O autor mais importante do grupo foi Apolinário Porto Alegre, autor de “O vaqueano”, apresentando um protagonista gauchesco.     

       Mais tarde, nos anos 1910, outra importante manifestação literária surgirá envolvendo as figura do gaúcho. Que voltavam com a questão do regionalismo, agora através de outras estéticas. Talvez a estética brasileira menos bem definida até hoje, já que não possui um nome oficial. Mas falavam dos hábitos, costumes, tradições e modos de ser de figuras brasileiras, incluindo o gaúcho sul rio-grandense. O autor mais importante deste momento foi Simões Lopes Neto, também o mais importante dos autores sobre gaúchos. Que, em contos gauchescos, com o personagem Blau Nunes, delimitou e marcou muito das características mais importantes do gaúcho, juntamente com sua filosofia.

      O ponto mais marcante e conhecido sobre os gaúchos no Rio Grande do Sul, entretanto, se dá a partir de 1948, com o surgimento do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) e seus desdobramentos nos Centros de Tradições Gaúchas (CTG). Organizado principalmente por Paixão Cortês, Barbosa Lessa e Glaucus Saraiva, a partir de pesquisas feitas no interior do estado, de maneira até mesmo antropológica. Assim resgataram práticas, hábitos, costumes e aspectos culturais gauchescos existentes, ainda presentes. Em muitos sentidos, conseguiram pegar aspectos cotidianos da maneira como a cultura gauchesca existe, ou ainda existia.

       Com o tempo, isto passou a constituir o que se chamou de tradicionalismo gaúcho. Ou seja, uma imagem cultural fixa, muito baseada em aspectos reais e em profundo diálogo com autores e leituras mais antigas do gaúcho. Mas com um caráter bastante forte de tradição. Que se sustenta em seu ente cultural que não morre, ou não morre fácil. Porém, por ficar muito ligado a muita imagem, perdeu alguns aspectos importantes do gauchesco, que continuou existindo e tendo novas formas. z

        Então veio o movimento nativista, que conseguiu resolver muitos desses problemas e trazer o Rio Grande do Sul à tona. Pois se mantinha a imagem e a leitura do gaúcho, vendo vários elementos da cultura sul rio-grandense ali presente, garantindo sua existência. Porém se falava muito de questões atuais, principalmente da vida campeira atual. O que funcionou muito bem, permitindo que os gaúchos falassem sobre si e de como a vida era, trazendo sua filosofia à tona em sua forma mais plena.

    Foi um movimento principalmente musical, tendo trazido diversos nomes como: Baitaca, Mano Lima, Porca Veia, Leonardo, Gildo de Freitas, Telmo de Lima Freitas, Porca Veia, Berenice Azambuja, Os Fagundes, Pedro Ortaça, Cenair Maicá, Jayme Caetano Braun, Leopoldo Rassier, Joca Martins entre outros. Com isso, gaúchos falavam sobre si, o campo e a vida, trazendo filosofia, hábitos e cultura. Sempre se lembrando desta histórica figura campeira, vista desde o século XIX se percebe sua realidade e permanência. Mantendo sempre sua proximidade, conhecimentos e saber de como existiu e ainda existem, movimentos gauchescos sempre falarão sobre os gaúchos e também manterão vivos os conhecimentos sobre Brasil.       

 
Compartilhe no Whatsapp