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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Destino

28/1/2023 - Várzea Paulista - SP

   Esta é uma das ideias mais antigas e poderosas da humanidade. Já foi obsessão de filósofos e artistas. Principalmente estes, mas outros também. Puxando pelo artístico, podemos citar cantores como Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.  Enquanto o segundo deixa a vida levar, a vida o leva, o segundo sente que não se navega, quem o navega é o mar. Em ambos, a ideia de destino se manifesta. Surge como esta ideia de algo que está além do controle, do que o ser humano consegue fazer.

    Tal concepção é muita antiga, sempre se renovando e encontrando, na atualidade, argumentos para se sustentar. Pois sua ideia básica é de que tudo que acontece está definido e todos os processos para que ocorra vão se desenhando para se chegar lá. Como coloca a expressão árabe “maktub”, está escrito. Tal expressão capta bem a noção mais básica do destino, pois tudo que acontece e existe nada mais é do que um roteiro escrito, que segue as batidas de si mesmo, levando os personagens, no caso as pessoas, para ele. Dependendo da leitura, o autor deste roteiro pode ser uma figura divina, como Deus, Alá, Zeus ou diversas outras divindades. Para outros, o destino é uma força por si mesmo, que existe simplesmente por si, controlando as pessoas e aonde chegarão.

    Ainda sobre os gregos, para estes, não apenas Zeus, mas diversos outros deuses também tinham controle sobre o destino, influenciando decisivamente o caminho humano neste processo. Assim, a mercê dos deuses estavam os humanos. E tinham alguns profetas capazes de perceber tal situação. Logo, se estava muito associada à noção de destino e de controle divino. O destino assim assumia sua força, com este controle e força determinando a vida das pessoas.

     Deste jeito, se levanta o poder e força destinados, o quanto a força maior paira, fazendo tais determinações. Sendo seres criados e com pouco controle sobre si, navegados pelo mar como disse Paulinho da Viola, seríamos apenas por ele carregados e levados a sua mercê. Assim a existência seria explicada, como algo escrito e planejado para um determinado fim obscuro e desconhecido do saber humano. E estaríamos apenas enredados neste jogo.

    Contudo, a ideia de destino sempre entra em debate com outra questão, a do livre arbítrio. Pois, estando tudo destinado, não se teria liberdade para se montar e seguir caminho, estando preso aos meandros do destino. Ou, de maneira mais entrelaçada, existiria uma ilusão de liberdade, onde se poderia caminhos, mas que seria apenas a forma para se chegar ao destino. Ao mesmo tempo, o livre arbítrio é muito forte, sendo a força que determina o que será feito e como. Assim, sua base se torna real, dando os caminhos feitos. As características humanas e individuais estão presentes, influenciando esses jeitos. Os espíritos tem seus jeitos, que os influenciam. Mas o livre arbítrio está presente, permitindo possibilidades diferentes, baseado no que se quer ou pode.   

 
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