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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

A revolução mexicana

4/12/2022 - Várzea Paulista - SP

     O século XX ficou marcado por revoluções, um dos séculos onde mais ocorreram. Podemos citar a russa, chinesa, cubana, coreana, vietnamita e outras. Todas foram importantes e tiveram efeitos relevantes em seus países. No entanto, a primeira revolução do século continua sendo menos falada, mesmo sendo uma das maiores: a mexicana. Esta revolução ocorreu a partir de 1910, antes mesmo da russa. Começou como um movimento anti-reeleição para com o ditador Porfírio Diaz, que vinha se mantendo no poder por 26 anos, desde 1884.

      Tendo esta primeira base também escalonou para outras bases, principalmente reforma agrária e melhor condição de vida. Ficaram alguns anos de governo instável, com intensa disputa entre porfiristas e revolucionários. Havia figuras mais revolucionárias, que buscavam maior rompimento com o estado, como Emiliano Zapata e Pancho Villa. E também os revolucionários governistas, que queriam assumir o estado mexicano e reformulá-lo, como Venustiano Carranza e Francisco I Madero.

     Em 1917, os revolucionários governistas conquistam o poder com mais força, os quais consagrarão na década de 1920. Ainda em 1917, é escrita a Constituição Anticlerical, agora conhecida como Constituição Mexicana. Foi uma Carta Magna bastante avançada tendo previsão de direitos trabalhistas, primeira no mundo com isso, e um projeto de reforma agrária, além de diminuir o poder da Igreja. Ainda é a Constituição do país. O partido assume de vez o poder em 1928, chamado de Partido Revolucionário Institucional (PRI). Principalmente a partir de 1916, contaram com forte ajuda dos Estados Unidos para chegar ao poder.

      O PRI governou o México até o ano 2000, seus membros alternando internamente na presidência durante este período. O qual foi de grande estabilidade e prosperidade ao país, especialmente até final dos anos 1960, quando começa a decadência de suas políticas. Levou a cabo o projeto de reforma agrária nos anos 1930, sob o governo Lazaro Cárdenas Del Rio. E também garantiu uma liberdade artística e política muito maior que outro país da América Latina durante o século XX, ainda que o governo fosse uni partidário. Manteve o partido comunista na legalidade, coisa impensável na maior parte do continente a época. E incentivou artistas e uma cultura progressista ou mais social. Este contexto foi muito mais fraco em outros países latino americanos da época, incluindo o Brasil.

      Apesar de uma série de problemas sentidos pelo país desde essa época, e várias mudanças constitucionais, o Partido fez um bom governo durante seu período. Quando saiu em 2000, entrou Vicente Fox, do PAN, um partido de direita. Recebeu várias críticas. Após, em 2006, pelo mesmo partido, entrou Felipe Calderón.  Com seu governo desastroso, famoso por escalonar a violência nacional com o narcotráfico, perdeu muita força e moral. Após este período, assumiu Enrique Peña Nieto, do PRI, fazendo sua volta ao poder. Quando um governo é bom, o povo reconhece, dando força a seus governantes. E o PRI fez do México o país mais livre e progressista da América Latina no século XX, com suas bases na revolução mexicana. Uma revolução esquecida, mas que muito bem fez a seu país. Que seja cada vez mais lembrada e reconhecida.    

 
 
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