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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Jeca Tatu

19/6/2022 - Várzea Paulista - SP

      O personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu, foi criado em um contexto de falar sobre caipiras. Muito já se buscava sobre homens rurais brasileiros na literatura do início do século, normalmente sob um viés de exaltação e de demonstração dos homens do interior. Um dos personagens que demonstra esse viés de homenagem é Blau Nunes, vaqueano gaúcho de Simões Lopes Neto. Em contraposição a isto, o autor paulista Monteiro Lobato criou Jeca Tatu, para criticar e reclamar do caipira.

    Criou após um grupo ter feito queimada e roçado em um de seus sítios, o que ele viu como um imenso problema. Então escreveu o conto Urupês, no qual descrevia Jeca Tatu como preguiçoso, indolente, fraco, burro e atrasado. Já na abertura, criticava o que via como sendo um romantismo em cima de figuras rurais, vendo uma força e beleza neles. Baseado na questão citada os criticava muito, vendo a necessidade de mudá-los ou eliminá-los.

      Lobato estava então iniciando na literatura, tendo reunido este conto na coletânea de mesmo nome. Chamou bastante a atenção, tanto da crítica quando do público, normalmente de forma negativa. Não apenas pela maneira como falava dos caipiras, mas também pela ideia de que era um problema. Ainda assim, pelo sucesso e atenção que chamou, o autor foi expandindo sua obra, que chegaria até o Sítio do Pica-pau Amarelo, onde mais teve sucesso e aclamação. Chegou até dizer que perdera muito tempo tentando escrever para adultos, que deveria desde sempre ter escrito apenas para crianças, pois elas sim podem absorver alguma coisa.    

     Durante o tempo, vendo o sucesso e as críticas Monteiro Lobato decidiu rever algumas visões sobre o caipira Jeca Tatu. Se, no começo, o via como algo perdido, que precisaria acabar agora dizia que Jeca não era assim, mas estava assim. Podia ser muito melhor, mas estava indolente daquela forma. Assim o personagem era agora um símbolo dos problemas e das injustiças do Brasil, que precisavam ser resolvidas. Jeca Tatu existia pelos problemas sociais nacionais, adquirindo os hábitos que tinha.

       Depois da morte de Monteiro Lobato, o personagem continuou forte no imaginário nacional, como a figura de um caipira, um rural, com todas as nuanças destes personagens. Anos depois, o cineasta e ator Amacio Mazzaroppi faria grande sucesso no cinema, fazendo o mesmo personagem, em diversos filmes. O personagem ficou mais conhecido então pelo nome do ator. Ali também consolidou um formato de comédia nacional, que influencia até hoje. E segue sendo algo presente no pensamento e na ideia da cultura caipira.

        Não é, certamente, o melhor personagem caipira do Brasil. É o mais famoso, mas não chega tão longe. Serve principalmente como visão, como personagem literário, quase um arquétipo. Assim, vemos como seriam caipiras, e as ideias sobre eles inseridas por Lobato. Ainda consegue trazer algumas visões sobre caipiras e problemas sociais brasileiros. Com toda a literatura brasileira, ainda vemos vários tipos, colocados sobre os grandes efeitos literários. Monteiro Lobato, imperfeitamente, falou sobre alguns pontos e criou um personagem memorável. O caipira Jeca Tatu traz coisas profundas.

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