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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Alma melancólica

28/2/2021 - Várzea Paulista - SP

      A alma é uma parte vital do ser. É caracterizada e refletida, fazendo o ser ser o ser. Dentro dela, caminha o jeito e a forma, a manifestação do espírito que ali vive, as mais obscuras formações ali presentes. Sendo a alma carregadora destas diversas características, algumas são mais fortes, marcando fortemente a personalidade e a forma como o indivíduo será.

     Falando sobre a minha, sua característica mais profunda, e que já me fez sentir fundo algumas vezes, é sua melancolia. Fundamenta-se em cima de uma visão obscura e complexa sobre a vida, que me faz, com bastante dor, entender isto. Tal dor resulta da própria melancolia, deste eu profundo. 

       O eu profundo, composto de complexas e obscuras características, tem na melancolia uma forma de se enxergar, ir se vendo. O atinge quando algo interno ou antigas características desmoronam, fazendo com que construções, às vezes novas, às vezes mais antigas, percam algumas de suas partes, fazendo com que fiquem com pedaços faltando, doendo.

       Este eu, enquanto lhe ocorre tudo isto, vai sentindo, ficando melancólico, tanto pela observação do que cai quanto pelo sentimento daquilo, o valor que tinha e se destruiu, o que era real naquilo, e como continuará sendo agora, enquanto o antigo sai.

      Após estes momentos, as novas alegrias começam a se formar, vem vindo. Existem porque há beleza, há motivos e principalmente uma composição que traz tão forte sensação de existência e de vida que continua seguindo e existindo, o que se vê e entende a base disto, do que se pode entender e saber. A alma melancólica entende isto, fazendo com que fique alegre novamente e entendendo o que está vivo depois de tudo.

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