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Pedro Fagundes de Borba

Autor: Pedro Fagundes de Borba

Sherlock

16/2/2020 - Várzea Paulista - SP

      Sherlock Holmes é uma das grandes referências de inteligência, principalmente dedução. Sua habilidade em entender a situação e principalmente quem lhe procura, olhando apenas para a pessoa, deduzindo por pistas no corpo, impressionando muito seu ajudante e narrador das histórias Dr.Watson, entre outros. O criador do personagem, Arthur Conan Doyle, consegue usar deste personagem para contar histórias de fundo comum, com personagens vivendo em volta de crimes e conspirações, sempre interessando algum ponto. Um caso visível é o do conto “Um escândalo na Boêmia”.

  Watson estava vivendo uma vida mais doméstica, junto da esposa, dedicado mais à medicina, quando foi visitar o antigo amigo, com quem muito tempo dividiu o apartamento na Baker Street. Holmes, pouco após se cumprimentarem, Holmes recebeu uma carta de um que precisava de seus serviços e podia ser que viesse de máscara. Vendo o papel, viu que fora feito na Boêmia, uma empresa de lá. E era um alemão, pela maneira como escrevia. O receberam de máscara, com a qual disse que envolvia cortes européias, após conversas retirou. Dizia-se conde Von Kramm, um nobre. Se envolvera com Irene Adler, bela mulher, cantora de ópera, e desmanchou para casar com outra nobre, de cortes européias. Mandara para Irene uma foto dos dois junto á algumas cartas, ela e ele, e agora tinha medo que pudesse enviar para a nobre, o que estragaria o casamento. Sherlock conversou mais um pouco, confiante, sutilmente debochando de temores de Kramm, principalmente dizendo que se ela tivesse feito as cartas com intenção de chantagem, não teria como provar a autenticidade. Ele disse ter tido o papel de carta roubado, o selo copiado e ela estava com a fotografia em que eles apareciam juntos. Holmes pediu o endereço dela e disse que, em breve, teriam boas notícias.

  Disse para Watson o aguardá-lo às três horas. No outro dia, quase quatro horas, saído pelas oito da manhã, chegou. Passara o dia olhando a casa, ela era discreta, recebendo poucas visitas cantando em concertos e com passeios regulares as cinco, voltando às sete para o jantar, recebendo sempre um homem chegado advogado do Inner Temple, Godfrey Norton. Ia todos os dias. Naquele, eles em veículos separados, foram para a igreja de Santa Mônica. Holmes observava tudo disfarçado de mendigo. Os seguiu. Dentro da igreja, foi chamado por Godfrey, acompanhar algo muito rápido. Saiu. Foi comer, já eram quase cinco. Em pouco seria sete. Deu instruções a Watson para que ficasse próximo a uma janela por um tempo, a um sinal atirasse o que ele lhe daria e gritasse ser um incêndio. Fez um disfarce.

  Após se reaproximar da casa, disfarçado e com Watson, se envolveu em uma briga com outros em torno da carroça; questão de moedas. Foi levado para dentro por Irene, para ser cuidado, já que fora por eles atacado. Watson aguardou o sinal e, nele, atirou o foguete de fumaça, gritando o incêndio. Outras pessoas em pânico surgiram ali, foi para a esquina. Quando encontrou Holmes, ele não estava com a fotografia, mas sabia onde estava, no pânico Irene fora até onde estava para recuperá-la, estando no cordão direito da campainha. Quando falou que era falso, rapidamente recolocou.

   O rei da Boêmia fora lá no dia seguinte e se tranquilizou, sabendo que teria como recuperar a fotografia comprometedora. Foram e encontraram uma mulher velha na casa que disse ter partido Irene com o marido para o continente, para não voltar. O rei se desesperou, achando ter ela levado a foto, Holmes achou que talvez não. Meteu a mão no cordão e encontrou uma carta e uma fotografia. Escreveu que o vira, mandara o seguir, soube que se tornara objeto de interesse das investigações dele, decidira ir embora. O cliente dele podia ficar tranquilo, ela estava com um homem melhor, Godfrey Norton. Podia ficar tranquilo quanto a qualquer obstáculo que ela pudesse colocar no caminho dele. Deixou uma fotografia que ele talvez gostasse de ter. Kramm elogiou-a, sentiu-se seguro, recebeu o foto. O caso estava encerrado. Sherlock Holmes passou a olhar a inteligência das mulheres de outra forma, sempre se referindo à Irene como A mulher.

   Sherlock Holmes certamente conhecia as mulheres. Principalmente, entendia mecanismos das quais todas se sujeitam por não conseguirem escapar, ser algo que as atinge e afeta em algum momento, de um jeito ou de outro. O que ignorava, e talvez mesmo desconhecesse, era a inteligência por detrás disto. Sabendo destas questões, em muitos casos as percebendo como parte de sua identidade, o que era, Irene Adler respeitou o rei e ficou com um homem que gostava, agindo de muitas maneiras como seu ser de mulher agiria como esperado, num jogo entre formada e formadora, conjunto e ela. Holmes, entendendo muito destes detalhes individuais, um de seus maiores méritos de inteligência, percebeu uma forma nova de se ser, um jeito feminino que não conhecia que no fundo era um dos grandes atrativos de Adler, grande cantora de óperas. A perspicácia de Sherlock Holmes conheceu novos dos íntimos detalhes das pessoas na sociedade.

       

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